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“Vivo na Holanda desde 1992. Sob o impacto das enormes diferenças
culturais e, a partir desta mudança radical de vida, a questão da ‘identidade’ reapareceu, não
somente como uma questão teórica central da Filosofia mas como uma necessidade, como uma procura
de alguém que se sente, de repente, despojada das referências simbólicas básicas e habituais
que o constituem.
A primeira sensação é de que você não tem passado. Não existiu, pois as
pessoas e os lugares que você tem a confirmação disso, não estão presentes. As
lembranças, felizmente confirmam mas provocam uma enorme nostalgia da terra, dos amigos, do idioma materno,
da ‘casa’.
Concluí em 1996 meu mestrado em Filosofia pela Katholieke Universiteit Brabant explorando na tese a problemática
do sujeito e da identidade a partir de Nietzsche. Foi neste trabalho que encontrei uma oportunidade de dar forma
a essa ambigüidade sentida de viver entre duas culturas e duas línguas e, simultaneamente, através
da atividade filosófica, dar uma certa continuidade a minha vida.
Nestes três últimos anos aceitei também o desafio de trabalhar como voluntária num Projeto
Intercultural de Teatro de Mulheres. Esse projeto é agora financiado pela prefeitura de Bergen op Zoom -
na esperança da possibilidade de estimular, pela arte, a ‘integração’ de pessoas de origens
diferentes.”
“Regina Lopes van Balen nasceu no Rio de Janeiro, na Lapa. Filha de
pai imigrante português só se deu conta disto quando ela própria há sete anos emigrou
para a Holanda com a sua família. Durante dezessete anos exerceu o magistério e foi chefe de departamento
de Filosofia na Universidade Santa Úrsula. Contribuiu ao lado de outros professores para a coletânea
Fazer Filosofia desta mesma editora.”
SUMÁRIO
Introdução
Capítulo I
1.1. A genealogia da idéia de sujeito
A desconstrução do pensar metafísico
1.2. Sujeito e moral
1.3. A compreensão trágica da vida
A caminho da multiplicidade
Capítulo II
2.1. Pensar o homem a partir do conceito de vontade de potência
2.2. A vontade de potência e o niilismo
2.3. A vontade de potência enquanto eterno retorno
A experiência do tempo (e da vida) enquanto anel
2.4. O Übermensch
Um sujeito sem identidade ou o fim do sujeito?
Capítulo III
3.1. A linguagem enquanto máscara
3.2. A ontologia de Nietzsche
3.2.1. O ser enquanto devir e diferença
3.2.2. O ser como interpretação
Considerações Finais
Notas
Bibliografia
Pós-Escrito
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