“Apontado pela revista Newsweek como um dos prováveis cem nomes
de destaque no próximo século, o crítico indo-britânico Homi K. Bhabha vem se firmando
cada vez mais como intelectual brilhante, responsável por análises originais e polêmicas de
temas centrais da atualidade, como hibridismo, pós-colonialismo, identidade e nação. Os ensaios
reunidos em O Local da Cultura oferecem contribuições inestimáveis para diversas áreas,
sobretudo a crítica literária e os Estudos Culturais.”
“A crítica pós-colonial contemporânea relaciona-se estreitamente, por um lado, à diáspora
dos intelectuais do chamado Terceiro Mundo e sua disseminação nos grandes centros acadêmicos,
e, por outro, ao trabalho de escritores igualmente marcados por histórias de deslocamentos e reterritorializações.
O indo-britânico Homi K. Bhabha constitui um desses indivíduos ‘hifenizados’, um dos ‘homens traduzidos’
a que se refere Salman Rushdie, caracterizados por identidades ‘ao mesmo tempo plurais e parciais’. A dupla inscrição
cultural de Bhabha reflete-se tanto em sua abordagem quanto na escolha das questões discutidas em seus ensaios,
que buscam analisar o discurso colonial a partir de um complexo corpus constituído por romancistas (Conrad,
Forster, Kipling, Rushdie, Naipaul), documentos do governo britânico na Índia, e, sobretudo, pela
crítica de Fanon e Said ao colonialismo. Bhabha recorre a um repertório teórico refinado e
complexo, que abrange, entre outros, o pós-estruturalismo, a semiótica e a psicanálise. Segundo
o autor, a resistência aos discursos hegemônicos se dá principalmente através do uso
estratégico da ambivalência inerente ao poder colonial; essa ambivalência possibilita o recurso
à ‘mímica’ (e não à mimese) do modelo europeu, bem como a constituição
de sujeitos culturais híbridos, que se revelam ao mesmo tempo como uma semelhança e uma ameaça.
Assim, a partir de suas considerações acerca do conceito de hibridismo, Bhabha propõe o local
da cultura como o entre-lugar deslizante, marginal e estranho, que, por resultar do confronto de dois ou mais sistemas
culturais que dialogam de modo agonístico, é capaz de desestabilizar essencialismos e de estabelecer
uma mediação entre a teoria crítica e prática política.”
Homi K. Bhabha ensina Teoria da Cultura e Teoria da Literatura na Universidade de Chicago. É também
professor visitante de Ciências Humanas no University College, de Londres. Organizou o volume de ensaios
Nation and Narration (1990), além de ter publicado inúmeros textos sobre pós-modernidade,
pós-colonialismo e identidade cultural.
SUMÁRIO
Traduzindo Bhabha: Algumas considerações
Agradecimentos
INTRODUÇÃO - Locais da Cultura
Capítulo I: O compromisso com a teoria
Capítulo II: Interrogando a Identidade - Frantz Fanon e a Prerrogativa Pós-Colonial
Capítulo III: A outra questão - O Estereótipo, a Discriminação e o Discurso
do Colonialismo
Capítulo IV: Da mímica e da Homem - A ambivalência do Discurso Colonial
Capítulo V: Civilidade Dissimulada
Capítulo VI: Signos tidos como milagres - Questões de Ambivalência e Autoridade sob uma Árvore
nas proximidades de Delhi, em maio de 1817
Capítulo VII: Articulando o arcaico - Diferença cultural e Nonsense colonial
Capítulo VIII: DissemiNação - O tempo, a narrativa e as Margens da Nação moderna
Capítulo IX: O pós-colonialismo e o Pós-moderno - A questão da Agência
Capítulo X: Só de Pão - Signos de Violência em meados do século dezenove
Capítulo XI: Como o Novo entra no Mundo - O espaço pós-moderno, os tempos pós-coloniais
e as provações da tradução cultural
CONCLUSÃO - “Raça”, Tempo e a Revisão da Modernidade
Notas
Índice remissivo
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