O LOCAL DA CULTURA

Homi K. Bhabha

1998 - 395 págs.


“Apontado pela revista Newsweek como um dos prováveis cem nomes de destaque no próximo século, o crítico indo-britânico Homi K. Bhabha vem se firmando cada vez mais como intelectual brilhante, responsável por análises originais e polêmicas de temas centrais da atualidade, como hibridismo, pós-colonialismo, identidade e nação. Os ensaios reunidos em O Local da Cultura oferecem contribuições inestimáveis para diversas áreas, sobretudo a crítica literária e os Estudos Culturais.”


“A crítica pós-colonial contemporânea relaciona-se estreitamente, por um lado, à diáspora dos intelectuais do chamado Terceiro Mundo e sua disseminação nos grandes centros acadêmicos, e, por outro, ao trabalho de escritores igualmente marcados por histórias de deslocamentos e reterritorializações. O indo-britânico Homi K. Bhabha constitui um desses indivíduos ‘hifenizados’, um dos ‘homens traduzidos’ a que se refere Salman Rushdie, caracterizados por identidades ‘ao mesmo tempo plurais e parciais’. A dupla inscrição cultural de Bhabha reflete-se tanto em sua abordagem quanto na escolha das questões discutidas em seus ensaios, que buscam analisar o discurso colonial a partir de um complexo corpus constituído por romancistas (Conrad, Forster, Kipling, Rushdie, Naipaul), documentos do governo britânico na Índia, e, sobretudo, pela crítica de Fanon e Said ao colonialismo. Bhabha recorre a um repertório teórico refinado e complexo, que abrange, entre outros, o pós-estruturalismo, a semiótica e a psicanálise. Segundo o autor, a resistência aos discursos hegemônicos se dá principalmente através do uso estratégico da ambivalência inerente ao poder colonial; essa ambivalência possibilita o recurso à ‘mímica’ (e não à mimese) do modelo europeu, bem como a constituição de sujeitos culturais híbridos, que se revelam ao mesmo tempo como uma semelhança e uma ameaça. Assim, a partir de suas considerações acerca do conceito de hibridismo, Bhabha propõe o local da cultura como o entre-lugar deslizante, marginal e estranho, que, por resultar do confronto de dois ou mais sistemas culturais que dialogam de modo agonístico, é capaz de desestabilizar essencialismos e de estabelecer uma mediação entre a teoria crítica e prática política.”

Homi K. Bhabha ensina Teoria da Cultura e Teoria da Literatura na Universidade de Chicago. É também professor visitante de Ciências Humanas no University College, de Londres. Organizou o volume de ensaios Nation and Narration (1990), além de ter publicado inúmeros textos sobre pós-modernidade, pós-colonialismo e identidade cultural.

SUMÁRIO

Traduzindo Bhabha: Algumas considerações
Agradecimentos

INTRODUÇÃO - Locais da Cultura

Capítulo I: O compromisso com a teoria

Capítulo II: Interrogando a Identidade - Frantz Fanon e a Prerrogativa Pós-Colonial

Capítulo III: A outra questão - O Estereótipo, a Discriminação e o Discurso do Colonialismo

Capítulo IV: Da mímica e da Homem - A ambivalência do Discurso Colonial

Capítulo V: Civilidade Dissimulada

Capítulo VI: Signos tidos como milagres - Questões de Ambivalência e Autoridade sob uma Árvore nas proximidades de Delhi, em maio de 1817

Capítulo VII: Articulando o arcaico - Diferença cultural e Nonsense colonial

Capítulo VIII: DissemiNação - O tempo, a narrativa e as Margens da Nação moderna

Capítulo IX: O pós-colonialismo e o Pós-moderno - A questão da Agência

Capítulo X: Só de Pão - Signos de Violência em meados do século dezenove

Capítulo XI: Como o Novo entra no Mundo - O espaço pós-moderno, os tempos pós-coloniais e as provações da tradução cultural

CONCLUSÃO - “Raça”, Tempo e a Revisão da Modernidade

Notas
Índice remissivo

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