
GILLES DELEUZE
Um Aprendizado em Filosofia
Michael Hardt
Editora 34 - 1996 - 188 págs.
| “Há numerosas contribuições a esse projeto de uma
ontologia materialista na história da filosofia - tais como as de Espinosa, Marx, Nietzsche e Lucrécio
- e nos referiremos a elas em nossa discussão a fim de fornecer pontos de referência ilustrativos.
Focalizaremos, contudo, a concepção constitutiva da prática de Deleuze como uma fundação
da ontologia. Se a prática é o que torna possível a constituição do ser, é
a investigação da natureza do poder que permite a Deleuze dar substância ao discurso materialista
e elevar a teoria da prática ao nível da ontologia. A fundação do ser, portanto, reside
tanto em um plano corpóreo quanto mental, na dinâmica complexa do comportamento, nas interações
superficiais dos corpos. A única natureza disponível ao discurso ontológico é uma concepção
absolutamente artificial da natureza, uma natureza híbrida, uma natureza produzida na prática...
Esse modo de encarar a ontologia é tão novo quanto o universo infinitamente plástico dos ciborgs,
e tão velho quanto a tradição da filosofia materialista.” Michael Hardt “Em Gilles Deleuze - Um Aprendizado em filosofia, Michael Hardt analisa brilhantemente o desenvolvimento de pensamento político de Deleuze, investigando a progressão das questões críticas específicas que dominaram o cânone filosófico em sucessivos períodos. Hardt mostra como a análise inicial de Deleuze sobre a crítica que Bergson faz da ontologia e da determinação levaram-no a uma concepção de um movimento positivo de diferenciação e devir que, por sua vez, o conduziram ao campo das forças, sentido, valor e à temática da potência e afirmação em Nietzsche. A teoria do poder em Nietzsche forneceu para Deleuze o elo para uma ética da expressão ativa em Espinosa: a descoberta e a análise que Deleuze faz do cultivo espinosista da alegria e da prática no centro da ontologia finalmente levam a um completo rompimento com o paradigma hegeliano que reinara sobre a filosofia e a história da Europa continental.” Como podemos esquecer a dialética? Como podemos afirmar uma ontologia constitutiva? “Através dos esforços para responder a estas questões, o aprendizado filosófico de Gilles Deleuze apresenta o Bildungsroman de qualquer filosofia contemporânea que queira escapar do destino da modernidade. Michael Hardt revela a linha condutora dessa filosofia do futuro.” Antonio Negri - Universidade de Paris VIII “Este livro trata, na verdade, de começar de novo: como sair da história da filosofia? Como esquecer a dialética? Como definir positivamente o ser? E como agir positivamente num mundo que nos separa do que podemos fazer, alimentando predominantemente tristes paixões? Hardt reconstrói fielmente o ‘extenso desvio ontológico’ que Deleuze supôs necessários antes de conceber uma política puramente positiva. Trata-se de um projeto ambicioso: a construção de uma ética (portanto, de uma prática política) através da descoberta de uma ontologia puramente positiva.” Ian Pindar - Times Literary Supplement “Tanto por seu objeto quanto por seu método, eis uma obra que marcará o campo dos estudos deleuzianos.” Éric Alliez - Critique “A leitura de Deleuze por Hardt é complexa e precisa. Ele segue as imbricações da argumentação e as posições movediças com considerável perícia, dando-nos, assim, um estudo não só do modo deleuziano de fazer filosofia, mas da leitura deleuziana - da seletividade de seus alvos, de sua abordagem agonista da filosofia.” Jean-Jacques Lecercle - Radical Philosophy “Um livro excelente... O projeto de Gilles Deleuze - Um aprendizado em filosofia é situar Deleuze corretamente no campo daqueles que procuram aprofundar e transformar nosso entendimento filosófico e nossa situação política.” Todd May - SubStance SUMÁRIO Agradecimentos Introdução: Hegel e as Fundações do Pós-estruturalismo Nota Preliminar: O Primeiro Deleuze: Alguns Princípios Metodológicos CAPÍTULO I: A ONTOLOGIA BERGSONIANA: O MOVIMENTO POSITIVO DO SER 1. A determinação e Diferença Eficiente 2. Multiplicidade na Passagem da Qualidade para a Quantidade 3. A Emanação Positiva do Ser 4. O Ser do Devir e a Organização do Atual Nota: Deleuze e a Interpretação CAPÍTULO II: A ÉTICA NIETZSCHIANA: DO PODER EFICIENTE A UMA ÉTICA DA AFIRMAÇÃO 1. O Paradoxo de Inimigos 2. O Método Transcendental e a Crítica Parcial Nota: A Seleção de Deleuze do Nietzsche “Impessoal” 3. A Lógica do Escravo e o Poder Eficiente Nota: O Ressurgimento da Negatividade 4. O Trabalho do Escravo e a Crítica Insurrecional Nota: A Vontade de Potência dos Trabalhadores e a Síntese Social 5. O Ser do Devir: A Síntese Ética da Vontade Eficiente 6. A Crítica Total como Fundação do Ser Nota: A Fim do Anti-hegelianismo de Deleuze 7. Pathos e Alegria: Acerca de uma Prática do Ser Afirmativo CAPÍTULO III: A PRÁTICA ESPINOSISTA: AFIRMAÇÃO E ALEGRIA Especulação 1. Substância e Distinção Real: Singularidade 2. Atributos Expressivos e Distinção Formal: Univocidade Nota: A Especulação Ontológica 3. Os Poderes do Ser Expressão Ontológica 4. A Interpretação dos Atributos: Problemas de uma Ontologia Materialista Nota: Produção Especulativa e Prática Teórica 5. Combatendo os Privilégios do pensamento Nota: Da Forschung à Darstellung Poder 6. O Verdadeiro e o Adequado 7. O Que um Corpo pode Fazer Prática 8. Noções Comuns: Os Agenciamentos do Ser Componível 9. A Constituição da Razão Nota: prática Teórica e Constituição Prática 10. A Arte da Organização: Para um Agenciamento Político CAPÍTULO IV: CONCLUSÃO: UM APRENDIZADO EM FILOSOFIA 1. Ontologia 2. Afirmação 3. Prática 4. Constituição Obras Citadas |
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