NIETZSCHE E A LIBERDADE

Miguel Angel de Barrenechea

7 LETRAS - 2000 - 140 págs.


“A singular interpretação nietzschiana da liberdade afasta dos discurso metafísicos e religiosos, que opõem o homem e mundo, arbítrio e necessidade. Sob este ângulo, o homem só pode ser realmente livre ao integrar-se voluntariamente aos impulsos típicos da terra. Ele atinge o âmago da liberdade ao afirmar o universo em sua totalidade, ao aceitar reverencialmente a necessidade. Na celebração do eterno retorno de todas as coisas, na adesão ao jogo dionisíaco do mundo, ele viverá uma existência plenamente criativa - uma existência artística -, gerando, sem cessar, novos valores.”

“Anos atrás, um turista argentino, de volta à terra natal depois de alguns dias no Rio de Janeiro, ao parar na fronteira para gastar seus últimos trocados, acabou preferindo comprar um livro de filosofia - que inacreditavelmente se encontrava num lugar como aquele - a fazer sua última refeição no Brasil. Esse livro sobre Nietzsche, escrito por um professor do Rio, desempenhou um papel importante em sua decisão de prolongar seu encanto com a cidade e seus habitantes, vindo estudar filosofia na Universidade federal do Rio de Janeiro. Nietzsche e a liberdade é o resultado mais importante dos estudos de Miguel Angel barrenechea, o mais brasileiro dos argentinos que conheço, atual professor de filosofia da UNIRIO.
Quem estuda Nietzsche sabe que seu desejo mais profundo de filósofo trágico foi pensar para além das oposições de valores constitutivas da metafísica: ser e devir, eternidade e tempo, verdade e ilusão, bem e mal, corpo e alma...
Sensível a essa exigência, a coragem de Miguel Angel foi enfrentar o difícil desafio de esclarecer o funcionamento dessa perspectiva trágica ao lidar com a dicotomia metafísica - e consequentemente cristã - entre liberdade e necessidade. E o fez de maneira instigante, ao procurar compreender o significado do paradoxo nietzschiano que consiste em afirmar que o homem só é livre ao aceitar, ou melhor, ao aderir artisticamente ao jogo dionisíaco do mundo.
Mostrando como, ao se afastar da concepção moral do livre arbítrio, a liberdade só pode ser compreendida, em Nietzsche, pelo amor fati - a afirmação ética, ou extra-moral, do eterno retorno da vida -, e como decorre daí uma visão artística da criação, Nietzsche e a liberdade nos incita a pensar um dos temas importantes e controversos da filosofia de Nietzsche.
Que bom que o turista argentino tenha afirmado o destino que o fez parar em um posto de fronteira, lhe permitindo unir duas de suas grandes paixões: o Brasil e Nietzsche, o filósofo sem fronteiras.” Roberto Machado

“Miguel Angel Barrenechea nasceu em La Plata, República Argentina, é professor adjunto do Departamento de Filosofia e Ciências Sociais (DFCS/CCH) da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Mestre e doutor em Filosofia pelo Departamento da Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de janeiro (IFCS/UFRJ), e graduado em filosofia pela Universidad Nacional de La Plata (UNLP). Foi professor de Estética no Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto (IFAC/UFOP) e na Faculdad de Humanidades y Ciencias de la Educación da UNLP. Co-organizador de Assim Falou Nietzsche, publicado pela Editora Sette Letras em 1999.”

SUMÁRIO

Agradecimentos
Introdução

CAPÍTULO I: ANÁLISE GENEALÓGICA DA LIBERDADE MORAL
1.1. O surgimento do conceito de liberdade
1.2. Liberdade e além nas doutrinas normativas
1.3. Liberdade e ressentimento
1.4. Liberdade e poder sacerdotal
1.5. Liberdade e “instinto-de-querer-castigar-e-julgar”

CAPÍTULO II: ANÁLISE FILOLÓGICA DA LIBERDADE MORAL
2.1. Crítica das noções da linguagem moral
2.2. A vontade como faculdade operativa
2.3. O sujeito e a linguagem antropomórfica
2.4. Crítica da substância e da causalidade
2.5. A “causalidade” da vontade de potência e liberdade

CAPÍTULO III: A LIBERDADE ARTÍSTICA
3.1. O “Zaratustra” como fala da liberdade
3.2. Da “liberdade negativa” à “liberdade positiva”
3.3. A “fidelidade” à terra e a “maternidade” do criador
3.4. “Da redenção”: a vontade criadora e o problema da liberdade
3.5. A afirmação do eterno retorno: a aceitação livre da necessidade

Conclusão
Bibliografia

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