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“Palavras miúdas de boa sina se assim se decide aquele que
envia suas palavras-cartas de ouro, mesmo que o destinatário não se encontre por morto infeliz ou
metamorfoseado, que o ouro aformoseia tudo e a carta sempre acaba por ser lida, nem que seja por outros olhos,
então de novo ávidos, de novo se deixando dourar ou adorar, pois assim as coisas são por destino
ou sina que essa nunca deixa de chegar a seu destinatário, mesmo que o nome seja outro, mesmo que os tempos
sejam outros, pois não é por nada que o ouro sempre dura e sempre fala de preciosidades e sempre
se busca e se enfeita nos olhos dos amantes donzelas cavalheiros ou putas que o ouro não tem olhos mas faz
faiscarem o olhos.”
“Mais que à flor da pele, enquanto expressão comumente adotada para um estado-limite, é na
flor da pele, enquanto lugar e território, enquanto superfície eriçada ou de eriçamentos,
que se desenvolve este novo livro de Ruth Silviano Brandão. Tudo aqui, ao longo dessas pequenas peças
escriturais compostas a meio caminho entre a prosa e a poesia, entre o silêncio e a música, entre
o dizer e o não-dizer, tudo aqui está na flor de algo que pode também ser o lugar do estranho
e do espanto, finíssima camada de texto a ponto de, sempre a ponto de, sempre prestes a, pois logo além
da flor da pele tanto pode estar o abismo como o nada, o mundo ou o outro.
E é essa eclosão como que iminente de alguma coisa indefinível, esse a qualquer momento à
beira da fervura, da ebulição, que atravessa de um lado a outro essas peças da autora. Não
atravessa apenas imagens e ritmos, não apenas a escolha de focos narrativos, não apenas a técnica
utilizada para exceder no que não é dito, mas atravessa as próprias personagens. É
o que podemos sentir diante de Ariel ou Amanda, de Ágata, de Marlos ou Stella, de Órion ou Letícia,
de Sofia, de Miranda, de Mino, de LInda, seres sós-não-totalmente-sós, porque desejantes,
juntos-não-totalmente-juntos, porque frustrados, porque perplexos, porque espantados com o próprio
espanto de querer ou desquerer o outro.
Valeria a pena dizer que estamos diante de histórias de amor que se convencionou chamar de histórias
de amor. Sim, são histórias de amor - mas aí seria necessário logo em seguida colocar
pontos de reticências, traços de suspensão, pois os seres dessas histórias ou não-histórias
de amor foram ou estão sendo atingidos pela palavra, plea palavra dita ou não-dita, leve ou de pedra,
de todas as maneiras estão sempre sendo atingidos (à flor da pele) como ouvintes ou falantes, como
seduzidos ou sedutores do verbo.
Professora de literatura e ensaísta, ficcionista e poeta, Ruth Silviano Brandão bem sabe o quanto
as palavras são capazes de atingir com eficiência certas regiões de sombra.
E o que floresce na pele, nas corolas ou nas pétalas da pele, é apenas um sinal daquilo que as palavras
(em combustão ou incêncio) iluminaram em camadas mais profundas.
Este livro é uma prova disto.” Paulinho Assunção
Ruth Silviano Brandão, mineira de Belo Horizonte, autora de livros de ensaios como Literatura e psicanálise
e Mulher ao pé da letra, atravessou e esmaeceu o fino fio que separa teoria e ficção para
escrever o romance Para sempre amada (7Letras) e Breve vida no branco (7Luas) e agora esta Flor da Pele.
SUMÁRIO
Ao leitor, ao editor
Á FLOR DA PELE
Um espanto
Ágata
Puro ouro
Marlos, Marlos
Uma presença epifânica
Assim a leveza
As mil e uma noites de Órion
Sofia e sabedoria
Passageira das vozes
Flores para Miranda
Taurus
Ondas sobre as ondas
A FLOR DA PELE
A flor da pele
Água rasa
Fina flor
Deslimbre
Risco
Ponto
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