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"Quem canta os frangos da granja tem direito a reivindicar o
seu espaço nítido no território da modernidade poética. Um poeta que sabe ver — e,
numa visão ao mesmo tempo devastadora e irônica, e pelo caminho da distorção e da transfiguração,
planta a sua diferença e singularidade. É uma pena que a poesia seja hoje uma atividade secreta e
clandestina. Eu gostaria que o Terratreme chegasse a incontáveis ouvidos, e olhos, e lugares, com seus tatus,
suas bananeiras obscenas e seus caminhões empoeirados." LÊDO IVO.
"Ronaldo Costa Fernandes revela antes de tudo um elevado grau de sintonia da palavra com a visibilidade das
imagens que cria, denunciando intimidade com a língua e suas possibilidades de metamorfosear a realidade."
CARLOS TAVARES, Jornal de Brasília
"A sensibilidade aflora em seus versos plenos de interrogação sobre a realidade múltipla
que quase asfixia, engole o espectador e se impõe como linguagem e signos que são hierógrifos
e ferramentas do discurso poético. O bicho homem é um belo poema! a loucura invade o território
da linguagem e quEstiona o mecanicismo, O ovo, A granja, A paisagem, A terra marítima, Os garimpeiros. Existe
humour em tais questionamentos que tornam mais densos o real, que não existe, pois o que existe na verdade
é a linguagem. Humour mineiro. A pergunta de Santo Agostinho (p. 76) é um soco epistemológico."
FOED CASTRO CHAMMA.
"Ronaldo Costa Fernandes corre todos os riscos de ser 'estrangeiro' na poesia brasileira. A sua história,
a desconstrução do ser estrangeiro, se constrói a partir do seu verso, referência recorrente
que ajuda a moldar a sua identidade — ponto fundamental de sua poesia." ROGÉRIO LIMA.
"Estrangeiro tem nerviura, coluna dorsal, arquitetura, fluência e ritmo. a palavra é tratada
em sua plenitude, o poema atinge a expressão máxima de sua comunicação lírica,
conceitual." RONALDO CAGIANO.
RONALDO COSTA FERNANDES publicou outros dois livros de poesia: Estrangeiro,
Ed. Sete Letras (1997) e Terratreme, edição da Fundação Cultural do Distrito Federal
(1998). O último teve prêmio de publicação pela Secretaria de Cultura do DF. Tem participado
de antologias e poemas seus foram publicados em inglês e romeno.
SUMÁRIO
O poema
Lição de anatomia
Anoitecer nas grandes cidades
Andy Wharol
Vermeer
Tristeza marinha
Fio
Mares
O sono e o lápis
A mesa
amáquina das palavras
Ciúme
Lua negra
Solilóquio
Tens apanas meia hora para inventar o furor
Mulher double-face como um calção de banho da inância
Baudrillard
Escrever à sombra
Tocarta
Bambolê
Visão dos teus quartos
Pernas pra que te quero
Poema a Lezama Lima
Bumerangue
Cemitério
Mulheres
A bela da tarde
Fios que me tecem
A ira
O Crime perfeito
Os hibiscos
Noturno
Os patos selvagens
O caminho problemático
Marilyn Monroe
A moeda
Persona
Café para dois
Delicado equilíbrio
O poema em marcha
Anatomia
A lua é um sonho
Os afogados
Popol Vuh
Aduana
Balanço
Fichamento
Exercício de física
O inferno é a literatura
Buraco
A vida submersa
Fetidez
Bumba-meu-boi
Poema para o Movimento dos Sem-Terra
Timbales
Caminhos de ferro
Colobo
A insônia
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