www.rubedo.psc.br | Poesia | © Flavio Ferreira Barbosa Jr.

 

FLÁVIO FERREIRA BARBOSA JR.

 

SENHORA D'ALMA

 

Deusa formosa, Senhora,
Luar claro da minha alma,
Fim do encanto, vou embora,
Em desesperança calma...

De um lindo bosque encantado,
Brisas de sonho e paixão,
Eu, hoje, sou deportado:
Não és mais uma ilusão!

O que restou deste sonho?
Inda não pude medir.
Porém, eu, mesmo bisonho,
Não deixei de te sentir!

O que restou deste sonho?
Teu sorriso, teu olhar...
Nada ficou de medonho,
Nem mesmo... teu rejeitar!

Algo mudou, sei agora,
Não te sinto como antes;
Parece, deixei lá fora
Brilhos de mil diamantes!

Nada de exato ou certo,
Dor da fragmentação;
E eu sinto, fiquei bem perto
De afogar meu coração...

Paira a inquietude na mente:
Será um elo perdido,
Neste meu tempo presente,
Este amor enlouquecido?

Por fim, sobe à consciência:
De mim, muito és projeção;
Portanto, sem indulgências
Para essa obsessão!

E eu quero tanto te ver
Como mulher de verdade;
Muito te amar, sem sofrer,
Nem te prender à vaidade.

Mas, inda não delimito,
Além de um véu, com clareza,
Quando és amor de mito,
Ou quando és realeza.

Um vibrante amor romântico
Derivou o meu destino;
Entonei antigos cânticos,
Ressonei sinos divinos.

Um mundo rico e simbólico
Emergiu em fantasias,
Sem nenhum ser diabólico:
Êxtases em poesia.

Tanto amor apaixonado
Libertou tal energia,
Meu ego revigorado
Por luzes, sons e magias.

Mas, chora do outro lado,
Chagas do amor paixão,
Um ego quase prostrado
Por obras da negação.

E ao pensar ser libertado,
Para te amar simplesmente,
Mais amor arrebatado
Explode em mim...de repente.

Por isso, sou obrigado,
Mutilação... e... tortura,
A ter... Amor condenado,
Cela interior, clausura.

Não posso mais ser "amigo",
Nem mais estar ao teu lado;
Não devo faltar comigo,
Mesmo estando marcado.

O imenso sentimento
Que mudou a minha vida
Não pode só ser fomento
De uma amizade polida.

Portanto, nada mais resta
Ao meu ser enfeitiçado:
Nunca mais fazer seresta
Ao teu coração cerrado.

Adeus, formosa Senhora,
Luz da Lua em noite calma,
Findo o canto, vou embora;
Devolvo-te à minh'alma!

(18/12/98) Flavio Ferreira Barbosa Júnior

 

E-mail para o poeta
flaviojr@uol.com.br

 

www.rubedo.psc.br | início | poesia | correio