www.rubedo.com.br | Poesia | © Dayse Mary
de Andrade
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DAYSE MARY DE ANDRADE
1
A poesia sufoca
de carmim
flor de urucum
saia pendurada
retalhos de seda
nosso caminho
cabide de infortúnios
espinhos de prazer
nossos carinhos
de boca larga
manga leitosa
nosso abraço de cobertor
de inverno
de inferno.A poesia sufoca.
2
A quietude
é um jovem anjo
que me carrega no colo.
Só no sonho.
Quando acordo
tropeço comigo mesma
no próprio colo.
Colo do útero
que nem tenho
inútil
que sou.
3
Acometida dos seus enganos
já me confundo
em pronomes.
Juntos que somos.
4
Água escondida:
tua alma
aos cântaros
vai matando
minha sede
humana de
beber teus versos-flores.
Na estrada
meu caminhar tão
seco
desidratado
meu coração.
E como será o indo assim?
5
Os balões que já não há
vagueiam no meu pensamento
vagalumes
na escuridão do passado
Cai Cai balão
aqui no meu desvão!