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Poema de andar pelo Eterno Retorno

Não sei se vou
ou volto
não sei se sou
ou findo
O bumerangue, eu noto:
vai vindo e vem indo.

Reverto a velha ampulheta,
reverte a areia por dentro.
Notável que o próprio tempo
assim também não reverta.

Que assim também não reverta
notável é o próprio tempo:
reverte a areia por dentro
quando reverto a ampulheta.

Ruínas! Ruínas! velhas senhoras!
Ruínas renás cendorrê nascendô
renascendo! Ruínas!
Marcam o ritmo na História.

O trem pára na estação e é dois:
o que voltava e já não anda,
o que vai partir mas ainda não.
O trem é negro
e descansa agora apenas um traço
nos TRILHOS.
A estrada é redonda,
o circuito é fechado.
Somos assim e os nossos filhos?

 volta

 e

   

 e

 volta

Desde o alto da montanha
um rio corren
do rodeia corren
do e con
torna e rod
eia correndo até o mar
... de onde veio.

Rogério Malaquias
66/Pico da Bandeira