www.rubedo.psc.br | Poesia | © Sérgio Nazar David
 

O que lhes prometo é o retrato de minha alma,
muito embora saiba o que é retórica.
Queria escrever e encostar a mão (só que fosse)
no que não sei ao certo o que é, mas pressinto,
o que é quase nada. Não é
uma flor oculta, um nome de lua,
um canhoto, um bilhete leviano,
não é marcar a trilha de seda
que os passos excitam, não sou eu mesmo
anterior ao que pratico,
não é o mundo, cujos braços de vinil
me cospem, me sugam,
não é o copo que bebo em vez da água,
não é o moço que anda em vez do táxi,
a noite em vez dos astros,
a fúria em vez das carnes,
os verbos em vez dos acenos,
da paralisia e do caos.
Não é.