ROSSINI & MEYERBEER – SONGS



Neste CD de características peculiares, o barítono norte-americano Thomas Hampson interpreta canções de Rossini e Meyerbeer, compositores do século XIX. Destacam-se "Le poète mourant" e "Ave Maria", entre outras belas cancões.

Tal gravação redescobre jóias da canção do século passado, sem necessariamente evocar o mundo da ópera. Thomas Hampson é um barítono em sua essência , com um timbre cálido e brilhante ; ao piano , Geoffrey Parsons traduz vividamente as lembranças dos salões parisienses do século passado, para os quais grande parte destas canções foram compostas.

Rossini ( 1792-1868) foi um grande compositor de óperas, e sua vida musical transcorreu basicamente na Itália. Entre suas óperas mais famosas, citem-se: "O Barbeiro de Sevilha", "A Cinderela", "A Italiana na Argélia", "A Pega-Ladra", "O Turco na Itália", "Guilherme Tell", etc... Rossini também compôs uma missa, a "Pequena Missa Solene", bastante operística, no melhor estilo rossiniano.

Meyerbeer ( 1791-1864) também foi um grande compositor, embora hoje se encontre um pouco esquecido. Começou sua carreira na Itália, onde competiu durante algum tempo com Rossini, embora fosse alemão de nascimento e judeu de ascendência. Após sua experiência na Itália, foi residir em Paris, França, onde sua carreira efetivamente brilhou, criando a Grande Ópera Francesa. Suas principais óperas foram: "O Profeta", "Os Huguenotes", "Roberto o Diabo", "Dinorah", "O Cruzado no Egito", "A Estrela do Norte", etc...

O intérprete vocal nesta gravação, o barítono americano Thomas Hampson, tem percorrido um caminho bastante interessante no mundo lírico, com destaque em papéis mozartianos, principalmente o Conde de Almaviva, nas Bodas de Fígaro. Seu timbre é de barítono lírico, com agudos que lembram um tenor dramático, e se destaca pela maciez e suavidade na emissão vocal. Geoffrey Parsons, pianista, possui uma carreira dedicada ao acompanhamento de grandes cantores e grupos de Câmara.

Uma curiosidade: os dois compositores reunidos neste CD em verdade foram , em certo sentido, rivais no mundo lírico, e amigos quando em idade madura. Não há rivalidade que a paixão pela música não supere.

 

Luiz Morena Antunes Filho
Professor de Teoria do Estado e Procurador autárquico federal
É, também, estudante de música e ministra cursos sobre História da Música


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