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UMA VEZ MAIS NA BRIGA

Uma Resposta a "Matanças" de Wolfgang Giegerich


James Hillman


Meu admirado colega e bem-amado amigo, Wolfgang Giegerich, cometeu três falácias em seu artigo da Spring 54, "Matanças", que não desejo deixar passar em branco, embora uma argumentação no estilo do Re-Visioning Psychology não me atraia mais como antes. Todavia, algo se agita; assim como nos velhos tempos, arregaço as mangas para contestar sua interpelação.

Derrubar árvores com o intuito de publicar mais um argumento intelectual só se justifica pela importância das questões em jogo. Neste caso, são as seguintes: os Deuses são reais ou a psicologia arquetípica está meramente cultivando um "jargão glamoroso"? Podemos ter uma alma viva nos seres humanos a menos que a morte, por meio de sacrifícios animais, seja colocada no centro da vida? É a matança, verdadeiramente, a base da civilização? Ou, como Giegerich declara: "O nascimento dos Deuses, piedade, alma e consciência, a própria cultura não surgem, meramente, do espírito da matança, mas de matanças reais" [p.8]. Incito cada leitor do que segue, ler e levar a sério as surpreendentes páginas de Giegerich publicadas na Spring 54, às quais, este texto, é uma resposta respeitosa, todavia, com a faca metafórica desembainhada.

A contestação é necessária porque o pensamento de Wolfgang Giegerich é o pensamento junguiano mais importante da atualidade — talvez o único pensamento junguiano consistente. Ele é preeminente entre os escritores Junguianos, e, suas análises dos apuros da alma da psicologia e da humanidade, corajosamente olham a face da sombra em nossos tempos e não oferecem falsas esperanças. Seu treino e cultivo do inglês beneficiaram seu estilo com acuidade e graça de forma que nunca se sente que se está ouvindo a voz de um falante não-nativo. Seus textos na Spring, desde aquele que tratou de Erich Neumann, na Spring 1975, suas conferências de Eranos nos anos 80 (que muitos de nossos colegas estavam muito ofendidos para assistir), sua editoria da Gorgo: Uma Revista de Psicologia Arquetípica e Pensamento Imagístico [em alemão], junto com os obscuros videntes Alfred Ziegler e Adolf Guggenbühl-Craig, mantiveram uma visão da verdade cruel viva durante estes dias de saúde e felicidade consumista no estilo Disneylândia.

Embora seja um analista junguiano em Stuttgart, Giegerich não pode ser classificado como um arquetipalista, um clássico ou um desenvolvimentista. Ele é independente e, como muitos de nós, seu território não concorda com os astutos cortes e cubículos do sistema de Samuels ou as regras de estilos junguianos de acordo com gerações criadas por Goldenberg. Giegerich é muito sombrio, genioso, erudito, um profundo pesquisador da alma e, genuinamente, um Mensch. Ele é tão completamente radical que até mesmo Ivan Illich ficou sem fala e quis abandonar a sala ao ouvir a conferência de Giegerich, em Dallas, na qual argumentou que a força destrutiva, onipresente e onipotente, da bomba nuclear é a única face verdadeira do Deus vivo nos dias de hoje — um tema apresentado em seu sólido trabalho Psychoanalyse des Atombombe (algumas partes foram editadas por Clayton Eshleman e publicadas em seu periódico, Sulfur).

Giegerich aponta o essêncial e a penetração firme e inesgotável, como o coelho das pilhas Energizer que funciona sem parar, destemidamente, escorpionicamente, caminhando jubilosamente para o ponto final, deixando lá o leitor, irredimido, exceto pela profunda satisfação de ter o caso completamente exposto — está é sua estimada habilidade. Assim é este curto texto, "Matanças", fiel a seu estilo, mesmo se eu julgo, e espero mostrar, estar corrompido com falácias.

A primeira é a falácia dos modelos históricos. Podemos recordar os argumentos de Giegerich, pronunciados de maneira tão efetiva no Festival de Psicologia Arquetípica em Notre Dame, Indiana (1992). Lá, ele disse que os Deuses da psicologia arquetípica não são reais porque não são celebrados com rituais como no passado. Rituais tornam os velhos Deuses reais, e o exame dos rituais Helênicos e Hebraicos exigem reais sacrifícios de sangue. Para termos Deuses reais devemos ter sacrifícios reais iguais àqueles realizados no mundo antigo e, também, naquelas sociedades anteriormente chamadas "primitivas".

Apenas imagine: 95 a 99 por cento da história humana foi determinada pela caça, i.e, por matança, não apenas como uma forma incidental de obter-se alimento, mas como o centro a partir do qual a existência humana adquiriu seu significado. Dos 10.000 anos restantes, desde a invenção da agricultura, o ser social, político, cultural e religioso da humanidade baseou-se e derivou-se da morte e do sangue sacrificiais. Toda casa era literalmente fundada sobre um sacrifício, em um animal ou humano ritualmente morto durante a cerimônia de construção e emparedado nas fundações. [8]

(Estou privando-me de citar Giegerich longamente, visto que, o que ele diz está facilmente acessível na Spring 54, apropriadamente chamada "O número sobre a Realidade". Esta é, inclusive, a questão central entre Giegerich e eu — "realidade" — que traterei daqui a pouco).

Agora, admitindo um papel chave do ritual na relação humana com os Deuses, devem os estilos do ritual e do pensamento sobre o ritual — e, dessa maneira, sua e minha relação com os Deuses — ser modelados sobre o arcaico e o antigo? Devem ser os Deuses no presente observados através de uma mímese do passado, fazendo o que supomos que os antigos faziam? Podemos mesmo fazer como eles faziam com o tipo de consciência que agora desfrutamos? Se o progresso na relação com os Deuses é através de uma volta aos modelos históricos, então, a compreensão de Giegerich da realidade religiosa, sua piedade, é fundamentalista, i.e., a relação correta é a repetição literal da história. Tais rituais seriam semelhantes a tomar as palavras da Bíblia como orientações literais para a vida. Fundamentalismo. Além do mais, diz Giegerich, se você não se dedica aos Deuses de acordo com o modelo histórico, você não tem Deuses reais. "Não sobra muita coisa de Zeus se ele for privado dos sacrifícios . Você não pode abrir mão dos sacrifícios de touros e, contudo, pensar que Zeus permanece Zeus" [6]

Esta afirmação atreve-se a definir a natureza de um Deus (a falácia histórica introduzindo-se na falácia teológica de definir Deus), como se Zeus não pudesse ser do jeito que quiser, exigindo, hoje, toda a espécia de atenção que não lhe ocorrera 2500 anos atrás. Não quero dizer que a história mostra progressos; quero dizer, somente, que existem variedades das experiências religiosas, de forma que, previlegiar rituais de uma era pode nos fazer perder oportunidades em outra. Muito provavelmente Zeus permanece Zeus mesmo sem o touro, porque outras espécies de sacrifícios, outras espécies de rituais lhe são oferecidos.

Sim, a cultura atual, aqui no Ocidente, no final de um eon, verdadeiramente requer rituais; mas de qual tipo e estilo? "A alma primeiro fez-se através de matança. Matou-se no ser. Por isso considero a matança sacrificial como o fazer-alma primordial [12]. Giegerich fala no tempo passado — isto é história! Que me diz do fazer-alma hoje? Deve o mesmo sangue literal ser derramado, como supostamente foi na antiga Grécia e Palestina? Os Deuses nos abandonaram, com diz Giegerich, porque não derramamos mais sangue literal? Não derramamos sangue de outra maneira, ou, preferivelmente, não derramamos, hoje, outro tipo de sangue para Eles e, dessa maneira, Eles estariam presentes de outro modo? Se eu leio Giegerich corretamente, não há outra espécie de sangue, somente aquele fundamental: literal, concreto, vermelho, que flui nas veias dos animais. Sangue fundamentalista.

Eu ouço contos históricos — e sou culpado por referir-me a eles ampla e regularmente — mais como aides memoires, como caixas de ressonância para ecoar a vida atual ou cordas que dão ressonância às pequenas melodias da vida diária. Não os vejo como uma atriz contra a qual medimos o hoje e, desse modo, vilipendiamos nossa perda. Para mim a história é um auxiliar, talvez um sábio mentor, mas não a vejo como mestre. Não há Era Dourada, nem para trás nem ainda por vir — tudo está na mente. Se os Gregos matavam um touro para Zeus e um porco para Deméter não requer que façamos o mesmo, nem mesmo que um cristão seja pregado em uma cruz de madeira a fim de ser devoto ao Deus. Os tipos de necessidades que Zeus e Deméter colocam em minha alma e seus requerimentos de reconhecimento parecem ser para mim, eternamente enigmáticos, e é, esta incerteza, que me mantém atento e eles misteriosos.

Não se esqueça: o que os Gregos disseram que seus Deuses pediam, acima de tudo, talvez unicamente, não foi sangue; foi não ser esquecido, isto é, ser considerado, recordado como fatos psicológicos. Para mim, este é o valor da história. A história mantém os eventos na mente a fim de que não nos esqueçamos. Então, a tarefa é re-encontrar sempre e mais uma vez caminhos de relembrar o divino e humano, e não, repetir o que uma vez funcionou assumindo que continuasse funcionando. Acima de tudo, a tarefa de re-encontrar significa abandonar lamentações, abandonar a nostalgia, não lastimar a conexão perdida em um tempo árido. A lamentação apenas retrata a desolação de hoje contra uma história vividamente significativa, levando o sagrado para mais longe ainda que o secular e deixando a vida contemporânea sem presenças divinas, uma condição que Giegerich descreve, na última insensata sentença de seu artigo como "o vazio, sem sentido, sem realidade".

Um corolário da falácia histórica é o atavismo romântico: um retorno para o culto da lança, do machado e do guerreiro/caçador. Eu, no entanto, quero falar da matança como metáfora, como um "como se", e não como um fato. Atualmente, a tarefa, como diz Robert J. Lifton, após seus estudos sobre Hiroshima e o Holocausto, é "imaginar o real" — justamente para que não tenhamos o real ocorrendo como história. É a tarefa de imaginar a faca, o sangue, o touro e a morte, sentir, plenamente, o animal morrendo — o que é, no entanto, possível uma vez que nós possamos reduzir nossa crença nos fatos históricos e aumentar nossa atenção para os fatos imaginais. Nós teríamos que ter touros reais para sentir sua presença imaginal? Certamente que não em meus sonhos ou visões ou trabalhos de arte ou no teatro. Vamos nos voltar para os Deuses não com facas nas mãos, em busca de rituais para conter nosso desespero passional; ao contrário, deixemo-nos imaginar seus chamados, suplicando às forças para nos dizer o que os deuses querem agora, como nós podemos serví-los, agora. A história não pode responder a questão, nem nossas idéias de história. Apenas os Deuses podem. O primeiro retorno é voltar para eles. Sua realidade não pertence, apenas, à história.

Isto nos leva para a segunda falácia, a ontológica, através da qual eu quero demonstrar o erro em se declarar o que é real. Sim, isto é um erro, pois o que não é real? O que não tem algum tipo de existência? Além disso, a falácia ontológica de Giegerich consiste em dois componentes que fazem a fálacia, especialmente para os psicólogos, particularmente perigosa. Compelido como ele é pelos relatos históricos de matanças reais, ele (a) localiza a realidade nos fatos reais e, (b) privilegia os fatos reais sobre outros tipos de real:

Nós vivemos num mundo de ideais, demandas, imperativos, fórmulas, utopias, princípios, programas, cuja realidade é por definição deficiente... Nós vivemos fundamentalmente num mundo de idéias supraterrestres, encasulado na irrealidade, e a psicologia faz seu melhor para ajudar a instalar e envelopar a existência humana nessa bolha... Você ainda estápreso aos sentidos, com a aisthesis, com a imaginação e a intuição, o que... Pode apenas produzir abstrações e nunca nos conectar com a realidade.

Por todas essas ocasiões "em que a realidade é por definição deficiente", a metáfora carrega um onus particular. Em resposta a alguma coisa que eu escrevi sobre o sacrifício animal, Giegerich escreve: "Se o desmembramento é só uma metáfora, a transformação que ele poderia nos trazer seria apenas metafórica. O que se quer é uma transformação real. O ponto psicológico; me parece, é o "fato", apesar de tudo (após tudo).

Espere aí: se o "mundo das idéias supraterrestre" é onde nós, fundamentalmente, vivemos, então, estes são os fatos! Dessa forma, abstrações são reais. Elas determinam; mais, elas são a concretude de nossas vidas, apesar de Giegerich chamá-las de "irrealidade" e diminuir seu status ontológico.

Além disso, seu "apenas metafórico" soa como o eco reverso ao desdém kkantiano em relação aos fatos concretos como "nur empirich". Eu ouço em Giegerich a luta da mentalidade germânica para sair do campo da mente para a "realidade" através dos sufixos subjetivantes (-keit, -heit, -tum) e lutando com questões como Ursprung, Wesen, Grund (Origem, Ser, Realidade): tanto quanto a mentalidade francesa está, sempre, tentando encontrar um caminho através de Decartes e, a mentalidade americana tentando fazer um argumento, filosoficamente válido, para a prática.

De qualquer forma, por tipos de reais, eu quero dizer todos os tipos que ele já listou — ideais, princípios, imaginação, intuição, abstração, metáfora, etc. Existem reais abstratos como axiomas matemáticos e as leis físicas, reais ideais como os Deuses teológicos, concretamente, ocorrem reais como os acidentes de tráfego e reais contingentes como os sintomas; reais lógicos como contradições; reais econômicos como a pobreza e a riqueza; tipos de reais biológico, artístico, e sociais; e talvez, antes de todos os outros, os reais semântico lingüísticos.

Nenhum desses é necessariamente prévio e, portanto, mais real do que o outro. Reivindicar que um deles é prévio, mais básico, mais necessário ou mais abrangente, seria privilegiar um real sobre o outro e, com isso, revelar sua posição no spectrum filosófico, a que Deus você está servindo. Além disso, o real que você elege como primeiro diz qual a fantasia de realidade que sua alma habita — e qual ele tem mais dificuldade de ver como uma fantasia, porque ele acredita que esta fantasia eleita é realmente real.

Contudo, o pensamento tem que começar por algum lugar — e este é o valor da ontologia. Ela dá um sentido de existência, de chão, de essência, de um piso sólido sobre o qual se imaginam as torres cobertas de nuvens do sistema filosófico. O ponto de início é sempre um postulado inexplicado, uma suposição, um salto de fé, ou o que Paul Kugler chama "um milagre". Ou o que eu chamo uma fantasia. Veja você, eu considero os pressupostos ontológicos acerca do que é real a cerca dos fatos e da realidade, como fantasias. Minha primeira fantasia, o milagre no qual eu me ligo é a realidade psíquica. Eu sigo o corte radical de Freud com o literalismo histórico e a notável clarificação da fantasia efetuada por Jung. Em outras palavras, eu sou filosoficamente, um junguiano, principalmente, porque eu sigo a ontologia psíquica de Jung: " a psiqué cria realidade todo dia. A única expressão que eu posso usar para esta atividade é a fantasia" [CW6: 78]. Isto não é suficiente par Giegerich, ele demanda algo mais sólido: o fato. Para ele, para alguma coisa ser real (realidade ontológica) ela deve ser um fato sólido e objetivo, como facas penetrando animais. Whitehead chamaria isto, um exemplo da falácia do "concretismo mal colocado", ou seja, hipostasiando a idéia de que os fatos sólidos são reais, então nós acreditaríamos que a idéia de matança é um fato sólido, e que os fatos sólidos são realmente reais porque nós acreditamos na idéia deles. No entanto, fatos são sólidos apenas quando eles são tomados literalmente, quando nós nos esquecemos que a fantasia cria a realidade de cada dia.

Meu ponto aqui é que a experiência da morte não requer o sacrifício ritual de animais reais, porque a imaginação, a metáfora, a abstração deste ato não é menos do que um fato sólido — apesar de nós atribuirmos status ontológico para as facas e o sangue concreto. Ele atribui. Eu não.

A falácia ontológica dele dá prioridade para a faca e o sangue, minha "fantasia" dá prioridade para a imaginação deste ato. E eu acrescentaria ainda que apenas quando a imaginação transpõe, completamente, o ato da matança em sacrifício é que a matança torna-se ritual e permite a experiência da alma que Giegerich, e eu, estamos ambos buscando. Novamente, a realidade da imaginação é primária — como ela sanciona o ato, transforma o ato, anima o ato. De outra maneira, seria apenas outra carnificina ou uma morte indiferente na rodovia.

Deixe-me tomar outro caminho neste ataque a sua ontologia. Vamos tentar ver através da identificação de Giegerich do real com o fato consumado (o itálico é dele), do tipo, matar um animal em ritual. Então, vamos transportar esta discussão sobre a natureza do ser real para um laboratório de alquimia.

A disciplina da alquimia nos ensina que nós pensamos diferentes tipos de pensamentos e formamos experiências diferentes de realidade em diferentes momentos do opus alquímico. Quando a psique está imersa no nigredo, ela imagina a realidade como concretamente materializada, e a alma conhece a si mesma indo para o fundo e para trás (redução) na escuridão, infernos de sofrimento, remorso, tristeza, resistência. Sua tendência natural nesses tempos é ficar fixado em fatos históricos materiais de sua existência. O passado é absolutamente real e explica o presente. Isto é um literalismo teimoso que uma vez foi chamado "concretismo psicótico" — metáforas, símbolos, indícios, devaneios, só podem aparecer como "fatos sólidos". A psique sente-se perdida — "vazia, sem sentido" — e focaliza por meio de um único ponto de vista (visão monocular).

Apenas quando o opus torna-se azul e então, enbranquece é que a psique começa a imaginar fatos concretos que pareceram até agora determinar sua existência — 95 a 99% da história humana — de uma maneira mais engenhosa e fantástica. Do ponto de vista do nigredo eles são apenas fantasias e parecem simplesmente irrealidade, loucura, poética da anima, nadas etéreos, "apenas metafórico" assim como Giegerich acusa a mitilogização da psicologia arquetípica: "você ainda está preso aos sentidos, a aisthesis, a imaginação e intuição, o que... Pode apenas produzir abstrações e nunca conectar-nos com a realidade. [16]. Mas metáfora, etc., é a realidade do albedo. Isto também é realidade. Giegerich permite apenas um tipo de real, já que ele só permite um tipo de ritual. O monoteísmo governa ambas, sua falácia histórica e ontológica.e o que poderia causar maior consternação a um pagão arquetipalista do que detectar um pensamento monoteísta em um amigo arquetipalista.

Uma relativização similar do "real" ocorre na yoga Kundalini (veja os comentários de Jung cf. Spring 1975 and 1976). A mudança para Anahata e, então, Visuddha (área do coração-e-pulmão e, então, garganta) confere realidade primária ao efêmero dos sentimentos, para as fantasias fugazes, mais do que aos fatos duradouros do Muladhara. É a relação imaginativa, aérea, suspirante, com o mundo "suspenso acima da terra", como diz Jung, mais do que a fisicalidade intensa e imediatamente pessoal das regiões do ventre e da vesícula. Antes de Visuddha, pensamentos, palavras, imagens, intuições não carregam a convicção da realidade; depois de Visuddha, eles tomam a força triunfante de um elefante e carregam todo peso.

Diferentes salas do laboratório, diferentes lugares na árvore Kundalini qualificam sentidos diferentes de realidadde. O que é real depende de onde você está. Como diria Ed Casey, " se colocar" é o primeiro movimento ontológico. Literalismo, quer seja histórico ou ontológico, pertence a um lugar específico no opus; mesmo o mais concreto dos fatos dissolve quando o opus move.

Minha terceira acusação poderia ser chamada de falácia do concretismo Luterano. Eu estou falando sobre sangue. Em seu Tipos Psicológicos Jung distingüe entre Lutero e Zwinglio (os reformadores Germânico e Suíço) em termos da doutrina da transubstancialização. O que acontecee ao vinho e ao pão durante a missa. De que maneira Deus está presente — concretamente ou simbólicamente, literalmente ou espiritualmente, fisicamente ou psicologicamente, nos sentidos ou na mente?

[Lutero] clamou a presença real do corpo e do sangue de Cristo na Comunhão...[Sua] imaginação estava enfeitiçada pelo concretismo da presença material do corpo sagrado... O contato concreto com o "real" e material na Comunhão, e o sentimento de valor deste contato para o próprio Lutero... Prevaleceu sobre o princípio evangélico, que mantinha a palavra como o único veículo da graça e não a cerimônia. [CW 6: 96-97]

(Note bem aqui a referência de Jung para a palavra como veículo da graça e não a cerimônia física: albedo, visuddha. "Em contraste com o ponto de vista luterano, " Jung continua dizendo, "Zwinglio defendia uma concepção puramente simbólica da comunhão. O que realmente importava para ele era uma participação 'espiritual' do corpo e do sangue..."[CW 6: 98]

Esta mesma divisão esencial entre Lutero e Zwinglio aparece novamente na divisão entre Freud e Jung quanto a consideração de suas fantasias da dinâmica dos impulsos na alma. A energia de Freud é sensorial, física, biológica, sexual; a energia de Jung é uma abstração intencionalmente não limitada pela satisfação, como o conceito de energia na física. A energia de Freud é chamada "libido" ecoando erotismo concreto; a "energia física" de Jung, um princípio geral ecoando ciência natural. Do ponto de vista junguiano, a libido de Freud é muito estreita e acorrentada ao materialismo; da posição freudiana a "energia psíquica" de Jung é muito universalizada e vazia para ser real.

E aqui nós estamos nos anos 90, Giegerich e eu cada um examinando minuciosamente o outro como se nós lutassemos com a mesms questão arquetípica. Para Giegerich, assim como para Lutero e Freud, como manter os sentimentos sensoriais dos atos psicológicos mesmo quando nós simbolizamos? Para mim, assim como para Zwingli e Jung, como reconhecer o corpo da palavra, sem depender de incorporações literais?

Além das três falácias, eu desaprovo a aproximação ativista e humanista dos Deuses realizada por Giegerich, seu retorno ao ponto de vista padrão do ego: o que nós estamos fazendo a respeito disso; vamos fazer alguma coisa; desembainhar a faca. Quando ele escreve, " Deuses não são entidades existentes. Eles são resultado da ação da alma"...[p.13] ele não está confundindo alma com ego? A ação primordial da alma, de acordo com Jung, como falei acima é a fantasia. Fantasia cria realidade. Como Vico disse, os Deuses são universali fantastici, universais da imaginação, existências reais do imaginal — se Giegerich pode aceitar o imaginal sendo tão "real" como a lógica.

A questão do "fazer alguma coisa" é uma questão antiga. Giegerich refere-se a uma anedota de Plotino que censurou os teurgos em seu dia porque eles queriam fazer os Deuses descer e influenciar o destino através de rituais mágicos. Plotino disse, como Giegerich observa, "não é para eu ir para eles, mas para eles virem para mim." Eu entendo que Plotinus esteja dizendo: não é uma questão da vontade humana é uma questão de graça se eles tomam parte em minha vida. Minha posição soa próxima ao fiat mihi Católico, deixe que façam isso comigo,uma posição de receptividade. Giegerich, no entanto, acha receptividade muito passiva; ele interpreta Plotinus como se segue:

Esta bela anedota revela a falácia platonista, a redução do cultivo-da-alma em sua metade passiva, aquela de receber, da visão, imaginação. Sua metade ativa, aquela do nosso fazer, do ato e fato sacrificial, foi suprimida.

Isto me espanta porque intelecção, imaginação, visão são ações intensas e exaustivas. Aí estão os próprios trabalhos de Giegerich para testeminhar. Além do que, poiesis significa "fazer". "Fazer alma" significa "psicoética", como David Miller apontou alguns anos atrás. A alma é "feita" poeticamente, esteticamente, imaginativamente, intelectualmente, e, sem aquela visão que percebe mitos em atos, sacrifício é meramente uma mixórdia sangüinolenta.

A propósito, a cerca daquela faca. Karl Kerenyi (eu estou resgatando meus precursores aqui), que sabia tanto sobre os Deuses Gregos e rituais como Walter Burket em quem Giegerich confia; escreve: "Na mitologia grega o Mal pode ser expresso pela faca" [Evil. Northwestern Univ. Press, 1967]. Ele disse isso a propósito da discussão a cerca da Buphonia ou rituais de matança de touros, os quais ele dizia que davam aos participantes a sensação aflitiva de fazer a coisa errada e era sancionada como um tipo de assassinato de iniciação. De acordo com Kerenyi a faca é má porque ela provoca separações horríveis: a foice de Kronos separando céu e terra; a espada separando a cabeça de Orfeu de seu corpo; e a família chacinada da assassina Medéia. E esta é a forma como Giegerich também está usando a faca: para separar os Deuses do mundo humano, o que, conseqüentemente, aniquila a psicologia arquetípica.

Eu tenho provocado vocês leitores por anos argumentando que os Deuses não podem ser eliminados, que eles habitam nossa subjetividade e governam nossos atos. Quer sejam invocados ou não, eles estão presentes (como Jung escreveu sobre o lintel de sua casa). O mesmo W. R. Otto, a quem Giegerich rebaixa através de Karl Reinhard (seu precursor) mantém que os Deuses não poderiam não existir. A questão, disse Otto, não é como os Deuses afastaram-se, a questão é como nós os perdemos de vista. O que aconteceu conosco que nós não podemos encontrá-los desde que eles, por natureza e definição, são athnetos, imortais, indestrutíveis, incapazes de morrer.

O brado que atravessou a antigüidade no início da era Cristã, "O Grande Pan está morto", era simplesmente uma parte da propaganda Cristã. Diga uma mentira grande o suficiente e ela se tornará uma verdade acreditável. Esta mentira durou dois mil anos. A revolução Cristã queria Pan morto, mas ele não poderia estar morto e sua contínua existência como Diabo, como o Demônio do Pesadelo, como Pânico e como natureza e todas as outras formas e significados em que ele se apresenta põe abaixo toda a fanfarronada Cristã. Para eles, sim, Pan estava morto, porque eles negavam a vitalidade espontânea da natureza em um sistema de valor que não era deste mundo.

Possivelmente os próprios Deuses temiam a faca separadora. Eles não carregam a lâmina que separa. Artemis, Apollo, Ares, Athena, Eros são portadores de lanças e flexas de penetração profunda. Talvez os Deuses só possam ser "mortos" apenas sendo reprimidos. Por isso que eles pedem para não serem esquecidos. Rituais ajudam a relembrar; nada mais, mas já é o bastante.

Se eles podem ser mortos, isto é, se realmente podem desaparecer de toda memória é duvidoso. Também é dito que os Deuses estão presos a moira, ao destino. Eles também não devem ultrapassar seus limites, um deles é o de não morrer. Devemos dizer que eles são forçados à imortalidade assim como nós somos forçados pela mesma moira à mortalidade. Existência é seu destino! Nem ritual, nem lógica (Giegerich apela para os dois) nem fé (o método Cristão de manter Deus vivo) são necessários para manter sua existência.

O que, então, é necessário? Imaginação sensível. Deuses existem como imagens; esta é a realidade deles. Realidade psíquica. Fantasia de poder. Poder de fantasia. Eles podem ser celebrados, honrados, consolidados por rituais mas eles não existem mais em virtude dos rituais desde que sua existência está ligada às narrativas míticas sobre Eles. Como realidades psíquicas, eles estão presentes em qualquer lugar que o caração da imaginação sensorial e o olho da mente que vê, imagisticamente, imaginativamente. O homem vive poeticamente sobre a terra. Os Deuses estão lá, nas árvores e poços, em estações e horas do dia, em entradas e edifícios bancários, em animais e gritos na noite. Eles estão sempre presentes em qualquer lugar para a imaginação sensorial, e se você quiser livrar-se dos Deuses, você restringe a imaginação. Você livra-se das imagens. A batalha que esbraveja por séculos, polidamente nomeada de Controvérsia Iconoclasta, despedaçou e queimou as imagens de modo a livrar o mundo Cristão dos vestígios pagãos. Ao reduzir imagens a alegorias e controlando a imaginação sensorial, a psique convertida foi esvaziada para a instalação da teologia abstrata, para um Deus que, porque intangível, porque impossível de sentir, tem que ser acreditado. Credo no lugar de aisthesis. O sangue do touro parece maravilhosamente rico depois de dois séculos de drenagem vampiresca.

Os tais modos que Giegerich acha escamosos e tênues — os sentidos, aisthesis, imaginação, intuição, visão, metáfora [pp. 14, 16] — são os modos pelos quais os Deuses se apresentam. Mas você pode dizer que alguma coisa não está lá porque você não pode encontrá-la? Giegerich não pode encontrá-las porque arrancou-as de si denegrindo sua "metade passiva" do cultivo-da-alma. Ao contrário, ele busca rituais onde eles tinham que estar, mais do que onde eles realmente estão. Como bem debaixo do seu nariz. Então, eu sugiro que meu amigo examine seus sentimentos de desespero com os quais ele finaliza seu texto. Ele tem o melhor faro do ofício para encontrar o Deus na doença [Jung], como por exemplo seus dois grandes volumes sobre a bomba nuclear. O que dizer dos Deuses em seu desespero? Que Deus governa seu literalismo? Seria o Deus de Lutero? Que Deus o faz sentir-se tão vazio, "para sofrer descompromissadamente" [p.17] — Hades, Saturno, Hecate, Demeter, Prometeu? Certamente, não Zeus. Eu acho que o meu Platonismo Romântico traz mais touro para aquela efusiva honra de Deus do que Giegerich e Hegel.

Antes de finalizar, eu devo enriquecer este Platonismo com um pouco de Plotino (mais do que um precursor, meu Hausartz e guarda-costas) que Harriet Eisman, em resposta a Giegerich, em Notre Dame, me fez lembrar. Isto vem no final das Enneads. [6.9.9] e eu sugiro aos leitores olharem toda a passagem porque é a cerca da dança da alma, o que, como diria Plotino na seção precedente, "pertence ao reino do intelecto." Com Plotino eu aprendi que é a atividade intelectual da psique, o Intelecto Ativo em termos filosóficos, que gera a realidade dos Deuses.(Eu estou combinando as traduções de Armstrong e MCKenna)

Nesta dança coral ou música em coro a alma contempla a primavera da vida,primavera do intelecto, começo do ser, fonte de deus, raízes da alma... eles são eternos... Então, eles também subsistem; por quanto tempo o sol brilhar, por tanto tempo haverá luz. Nós não fomos arrancados, nós não estamos separados... Nós respiramos e somos preservados porque o Bem não deu suas dádivas e então foi embora, mas continua dando para sempre... Nosso ser é o pisoeiro para nossa mudança para o outro lado; está é nossa properidade; segregar-se é solitário e depreciativo... Lá a alma encontra seu descanço... Elá ela pensa, e não é passiva... Vida naquele reino é a realidade ativa do intelecto; e a realidade ativa gera Deuses, traz a tona beleza, traz a tona probidade, toda boa moral.

Isto dá uma resposta para a maior assertiva de Giegerich sobre a existência dos Deuses — "os Deuses não são entidades existentes. Eles são o resultado da ação da alma"...[p.13]. A ação é precisamente aquela intelecção, uma dançante intelecção imaginativa, isto é tudo o que Giegerich execra através de seu trabalho, separando tal ação do corpo, juntamente com a comprovadas e cansadas divisões mente-passiva vs. corpo-ativo, sangue-real vs. Metáfora-abstrata.

Agora, no final, nós nos voltamos para a questão principal de Giegerich: Como os Deuses permanecem vivos? "Já que sem o sangue que lhes confere sentido os Deuses não podem sobreviver. Eles necessitam de sacrifícios diários como sua alimentação..."

Nem Giegerich, nem eu queremos dizer que os humanos fazem Deuses, que os Deuses são projeções de nossas necessidades e, então, existem para nossa satisfação. Eu acho que nós dois queremos dizer que Deuses requerem alguma coisa da alma para manter sua realidade permanente. Para ele, isto parece significar matança; para mim, é o que os Deuses e Deusas Gregos demandam: não serem esquecidos. Esta lembrança é, precisamente, sobre o que a psicologia arquetípica tem insistido sobre , todo o tempo. Para Giegerich, isto não é o suficiente.

A resposta de Giegerich, seguindo a partir das três falácias, deve clamar por alguma coisa concreta, como matança de animais. Minha resposta diz que a matança concreta já está em andamento, mas a matança sem cerimônia, sem sacrifício, sem Deuses. A repressão da imaginação mítica e dos Deuses através de quem a imaginação se apresenta rendeu à matança nulidade e esvaziamento. Nós temos a matança, mas separada dos Deuses, de forma que só serve a propósitos seculares — dieta de proteína, transporte rápido, ganhos econômicos, esportes de final de semana, pesquisa médica, etc. Os animais foram encurralados para dar suas vidas para um único Deus, verdadeiramente universal, onipresente, onipotente, lealmente celebrado em pensamento e ação, unindo todos os humanos em atos diários de devoção: A Economia. Este é o Deus que nós alimentamos com o sangue real dos animais. Mesmo eu chamaria a isto "fato concreto".

Então, um caminho a ser buscado seria re-conectar os Deuses aos fatos — bençãos nos portos quando o arrastão chega; pequenas pedras marcando no acostamento das rodovias uma morte por acidente de trânsto; imagens de animais sobre os depósitos gelados de patê, nos supermercados; estórias sobre animais nos menus de pato, porco e lombo de cordeiro; crianças da escola infantil efetuando serviços no canil e na cirurgia de castração; visitas instrutivas as lojas de comida animaizinhos de estimação. Absurdo, banal, trivial? Será que estes gestos concretos satisfariam os requerimentos de Giegerich por um ritual concreto? Ou algo ainda está faltando? Apenas lembrando:o massacre animal, tão concreto quanto possível, não vai restaurar a santidade que Giegerich está clamando; e de qualquer forma não é o concreto que re-instala o sagrado. O que já é real não se torna mais real adicionando o concreto.

Além do mais, nós não podemos forçar Deus ou Deusa a estar presente no massacre, ou inventar rituais com um tipo de devoção positivista. Giegerich é contra o positivismo, e diz isso. Eu também sou, mas o que mais são suas ações reais senão tijolos com os quais o positivismo constrói seus tipos de templos? Programas que fariam conecções positivas entre fatos e mitos inventando rituais mostram a bobagem de tentar mudar necessidades imaginais em fatos concretos. Tais manobras empregam o instrumento falho do ego ocidental para restaurar as relações com os Deuses, o mesmo instrumento que em primeiro lugar, tão orgulhosamente, despojou-se dos Deuses. De fato, é o sacrifício daquele ego, sua morte, que Jung considera (Transformação e Símbolos na Missa) o ponto central de um ritual de nutrição. Mesmo se aquele ego estivesse para sacrificar-se diante do altar, seria duvidoso que os Deuses compreenderiam isto como um ritual de alimentação.

Eu proponho que abordemos as coisas pelo lado errado. Não são mais touros e porcos que precisam da faca, mas o Deus por quem eles estão morrendo, A Economia. Apenas o deicídio pode reavaliar o que os animais já estão representando. Somente rebaixando o Deus dominante torna-se possível libertar a alma para ser feita novamente através da poiesis e livrar os animais do massacre secularizado. Precisamente este deicídio é o que a psicologia arquetípica tem estado estado às voltas, desde seu começo, vinte e cinco anos atrás, e sempre, desde então. Por um lado, a psicologia arquetípica tem mantido um engajamento contínuo com o Cristianismo (e. G. Minhas Entre-Vistas, Capítulo 5) porque o Protestantismo e o Capitalismo pertenciam um ao outro em seu começo e ainda caminham juntos para seu fim. Enquanto que por outro lado, a psicologia arquetípica tem evocado continuamente a imaginação mítica das forças pagãs, provavelmente, as únicas forças em todo o mundo que não obtiveram um centavo.

Então, finalmente, após todo este reboliço, eu acuso Giegerich — por falhar em sentir a realidade da psicologia arquetípica — de uma reversão ao Protestantismo. Por reais, os fatos concretos para quem ele apela como verdadeiramente reais são aqueles do desmitologizado mundo econômico-científico-secular. Assim seu artigo é tingido com aquele pessimismo europeu de uma cultura que não pode escapar de sua ânsia Romântica de inverter sua história porque é incapaz de imaginar qualquer outro caminho para os Deuses.

Enquanto que nós, em uma geografia diferente, neste lado do Atlântico, podemos nos apropriar dos mitos da cultura européia porque as figuras pagãs da Grécia e Roma nunca foram locais. Para nós, elas sempre foram e, continuam sendo, imaginais — literária, estética, poética, inspiracionais, desembarcando em nosso solo mas nunca autóctone para ele. Porque para começar essas figuras pagãs nunca foram reais, no sentido de Giegerich, elas sempre foram reais no meu sentido, e além do mais, sua realidade nunca pode desaparecer já que elas são lembradas, ou seja, mantidas na mente. Esta é a forma como elas sobrevivem. Se, no entanto, a mente é um escape da realidade de Giegerich, então, essas figuras são escapes também.

Do quê? Elas oferecem uma terra de realismo mágico para dar lugar aos anseios trancendentais deste hemisfério, ao mesmo tempo nos permitindo escapar do concretismo da religiosidade fundamentalmente terrestre Americana. A imaginação que eles enriquecem confirma que este mundo — contrariamente ao desejo de Giegerich por um "mundo humano" — apesar de todos os seus horrores humanos é, não obstante, um milagre constante de delirante grandeza. Elas nos dão visão. Visão faz o mundo real; aisthesis o faz suportável; retórica o faz falável; poiesis, ilusional; e rapsódia, ilógico. Não Hegel; Whitman. Os Deuses são nossa prosperidade.


Tradução: Verônica Bernardi

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