Luciana Gageiro Coutinho
"Os punks são jovens entre 15 e 22 anos que se deslocam em bando e não é difícil perceber que estão juntos e algo os une. Não só o visual mas a atitude; eles têm a inquietude e a dispersão dos grupos sem líder; quando caminham eles se propagam, o bando se expande pelas ruas sem gregarismo, mantendo contudo a mesma maneira de enfrentar as coisas e as pessoas, num atrevimento tranquilo e sem revide" (Caiafa, 1985:15).
"Existe uma certa sabedoria nesta perspectiva: uma espécie de aceitação (resignada?) da função do consumo como produtor ao mesmo tempo de coesão e de diferenciação social. Em suma, foi-se a idéia de mudar o mundo transformando as relações produtivas. Parece mais abordável e eficiente nesta altura modificar o consumo. O problema, em breve, é que fica bem complicado propor e inventar modelos de consumo que sejam equitativos. Acontece que o consumo se tornou tão importante justamente por ser o artifício encarregado de produzir e instituir diferenças" (Folha de São Paulo, 11/12/98).
"A estética que se elabora na imagem parece, ao que tudo indica, poder ser como uma linguagem que impulsiona e favorece a formação de pequenos grupos ou tribos....A eficácia da aparência assume a função de identificar, de agrupar. Nas grandes cidades, em que os sujeitos se tornam anônimos na multidão, torna-se possível ser visível e reconhecido" (Castro, 1998: 133,136).
"Um grupo primário desse tipo é um certo número de indivíduos que colocaram um só e mesmo objeto no lugar de seu ideal do ego e, consequentemente, se identificaram uns com os outros em seu ego" (Freud, 1921: 147).
"Proporcionava dois argumentos em apoio a minha tese, argumentos que ainda continuam me parecendo concludentes. O primeiro consiste na atitude de constante desconfiança que a sociedade global tem em relação aos grupos pequenos; esta os designa com um vocabulário pejorativo: sectas, clãs, bandos, "gangs"; sobre eles recai a suspeita, ora de conspiração, ora de práticas perversas; fazem-nos voluntariamente objeto de suas perseguições: o grupo é, na representação social corrente, o lugar de transgressão do proibido" (Anzieu, 1978: 173, tradução minha).