Bruno Netto dos Reys
Na depressão, essa fé no alívio da dor, na recuperação final, não existe. A dor é implacável e essa condição torna-se intolerável por sabermos de antemão que não vai aparecer nenhum remédio - no período de um dia, numa hora, num mês ou num minuto.
Sabemos que qualquer pequeno alívio é temporário, que será seguido por mais dor. A desesperança, mais do que a dor, destrói a alma. Sendo assim, as decisões da vida diária não consistem, como nos casos normais, em passar de uma situação desagradável para outra menos desagradável - ou de um desconforto para um conforto relativo, ou do tédio para a atividade - mas em passar da dor para a dor. Não abandonamos nem por um momento nossa cama de pregos, mas a carregamos conosco.
o neurótico busca incluir em sua esfera de interesses uma parte tão grande quanto possível do mundo exterior, para torná-lo objeto de fantasmas conscientes ou inconscientes. Este processo, que se traduz no exterior pela "Suchtigkeit" * dos neuróticos, é considerado como um processo de diluição, pelo qual o neurótico tenta atenuar a tonalidade penosa dessas aspirações "livremente flutuantes", insatisfeitas e impossíveis de satisfazer. Proponho chamar esse processo inverso da projeção, introjeção .
tenta atenuar seus afetos flutuantes, com a extensão de sua esfera de interesses, com a introjeção, quando ele, então dispersa suas emoções sobre todos os tipos de objetos, que em nada lhe concernem, para deixar, no inconsciente, suas emoções ligadas a certos objetos que lhe concernem em demasia.
Descrevi a introjeção como a extensão, ao mundo exterior, do interesse, de origem auto-erótica, pela introdução de objetos exteriores na esfera do ego (...). É a esta união entre os objetos amados e nós mesmos, esta fusão destes objetos com nosso ego, que chamei de introjeção e - repito - estimo que o mecanismo dinâmico de todo amor objetal e de toda transferência sobre um objeto, é uma extensão do ego, uma introjeção. Quanto à transferência dos neuróticos descrevi-a como um exagero inconsciente deste mesmo mecanismo dinâmico, uma espécie de doença introjetiva...
corresponde um processo, à última um fantasma.
bajo el imperio del principio de placer se consuma dentro de él un ulterior desarrollo. Recoge en su interior los objetos ofrecidos en la medida en que son fuente de placer, los introyecta (según la expressión de Ferenczi [1909]) , y, por otra parte, expele de si lo que en su propia interioridad es ocasión de displacer (...) Luego que la etapa puramente narcisista es relevada por la etapa del objeto, placer y displacer significan relaciones del yo con el objeto. Cuando el objeto es fuente de sensaciones placenteras, se establece una tendencia motriz que quiere acercarlo al yo, incorporar-lo a el (...) Etapas previas del amar se presentam como metas sexuales proporcionales em el curso del complicado desarrollo de las pulsiones sexuales. Discernimos la primera de ellas en el incorporar ou devorar, una modalidad del amor compatible con la supresión de la existencia del objeto como algo separado, y que por tanto pode denominarse ambivalente.
Essa forma de satisfação auto erótica é possível apenas em se tratando de pulsões sexuais; as pulsões de autoconservação, por não se satisfazerem na modalidade fantasmática, exigem um objeto externo. Por imposição do princípio do prazer, o eu é obrigado a introjetar os objetos do mundo externo que se constituem em fonte de prazer e a projetar sobre o mundo externo aquilo que no seu interior é causa de desprazer.
... la identificación es la etapa previa de la elección de objeto y es el primer modo, ambivalente en su expresión, como el yo distingue a um objeto. Querría incorporárselo, en verdad, por la via de la devoración, de acuerdo con la fase oral o canibálica del desarrollo libidinal.
... o limite corporal é o protótipo de toda e qualquer separação entre um interior e um exterior; o processo de incorporação refere-se explicitamente a este invólucro corporal.O termo "introjeção" é mais amplo: já não é apenas o interior do corpo que está em questão, mas o interior do aparelho psíquico, de uma instância, etc. É assim que se fala de introjeção no ego, no ideal do ego, etc.
... a fantasia central dessa etapa inaugural do desenvolvimento, embora descrita como uma fantasia de castração por mordida, vai ganhar um sentido inédito: enquanto representação que resume todas as apropriações fantasiosas de partes do objeto de amor, ela é fantasia de devoração interpretada como fundadora de uma identificação. Portanto, laço afetivo original estabelecido com o objeto chamado de "amor parcial" , considerado um amor primordialmente imperfeito, mas já destinado a se tornar amor objetal pleno.
Peço-lhes que não se precipitem em dar a esse termo uma significação muito definida. Digamos que se emprega quando se produz uma como que inversão - o que era fora se torna dentro, o que era o pai se torna o supereu (...)
Si Ferenczi concibe la transferência como la introyección de la persona del médico en la economía subjetiva, ya no se trata aquí de esa persona como soporte de una compulsión repetitiva, de una conducta inadaptada o como figura de una fantasía. Para él se trata aqui de la absorción en la economía del sujeto de todo lo que el psicoanalista presentifica en el dúo como hic et nunc de una problemática encarnada. No llega este autor hasta el extremo de articular que el acabamiento de la cura no puede alcanzar-se sino en la confesión hecha por el médico al enfermo del abandono del cual él mismo se encuentra en situación de sufrir ?
O som, como toda música - na verdade, como todos os prazeres - ao qual eu estava indiferente há meses, atingiu meu coração como uma adaga, e numa torrente de rápida lembrança pensei em todas as alegrias que aquela casa havia conhecido. As crianças que tinham corrido por ela, as festas, o amor e o trabalho, o sono honestamente merecido, as vozes e a vivacidade, a tribo eterna de gatos, cães e pássaros ... Compreendi que tudo isso era mais do que eu podia abandonar ...